Educação Emocional na Infância, a Confiança Que Gera Frutos…

Os Ganhos da Educação Emocional desde a Infância

Longe de mim indicar uma receita para este assunto, mas é um tema importante de se debater. Alias, tema discutível há muito tempo. O fato incontestável é que não há uma tese pronta. Sempre convivemos com distorções neste aspecto: educação & comportamento humano.

Seja no oriente ou no ocidente. Sabemos que é desde a origem do ser humano que nascem os seus indicativos de caráter e também suas sombras e padrões inconscientes adotados por toda uma vida…

Assim,  existem “orientações simples” para os pais investirem mais na comunicação com os filhos, no sentido de educa-los. Isto também não é novidade. Mas, será que o caminho da educação é mais ou menos este: dizer, “se você for por ali pode ser que encontre dificuldades, por aqui eu sei como é e posso ensinar a superar as eventuais dificuldades”.

Será que este é o caminho para uma sociedade consciente?

Na escola, o filho porta-se mal (ou na sociedade). Não tem bom comportamento na sala, é agressivo, queixam-se os professores. A culpa é dos pais? De quem é a responsabilidade? Será que este comportamento é reflexo da comunicação em casa? Será que os pais escutam os filhos? E eles, os filhos,quase nunca falam ou não querem falar, será que isso faz parte do temperamento, ou mesmo do caráter do filho??

Os filhos estão indo cada vez mais cedo para as escolas. É fato. Percebe-se que nas escolas, muitas crianças e adolescentes, não têm o devido acompanhamento em casa, passam muito de seu tempo “livre” ligados ao computador, à televisão ou à Internet, sem qualquer supervisão dos pais (ou responsáveis). Isso é preocupante. Na maioria dos casos, não há desinteresse dos pais, mas apenas falta de disponibilidade para dar atenção aos filhos, por pura falta de energia e paciência em decorrência de um dia muito estressante.

O acompanhamento da vida escolar acaba sendo feito  sem satisfação por parte dos pais, e em muitos casos,  transmitir regras e valores, acaba sendo um assunto inexistente e adiado eternamente… quando deveria ser adiantado para formação de pessoas com mais domínio próprio de suas emoções e ações, para reações e tomadas de decisões mais conscientes.

Falta de comunicação

A chave da relação educativa está na qualidade da comunicação. Os pais terão dificuldade em cumprir a sua missão de primeiros educadores se não tiverem esta condição. A consequência obvia é se comunicarem pouco ou mal. Quem quer educar os filhos, deve escutá-los com atenção, falar sem tabus, conversar com abertura de espírito, elogiar com sinceridade, repreender construtivamente, demonstrar amor e nunca, jamais interferir na escolha de uma carreira ou profissão de um filho ou tentar escolher o companheiro ou companheira por ele…

Ensinem valores aos seus filhos! Ajudem a buscarem o autoconhecimento!! criem crianças emocionalmente inteligentes, capazes inclusive de identificar emoções desde muito cedo, para que aprendam a lidar com elas… serão adultos com equilíbrio emocional! e aprenderão também a lidar com as emoções das outras pessoas… enfim, serão mais competentes em lidar consigo mesmos e com os outros. O autoconhecimento também os levaram a escolhas e decisões mais acertadas, que tenham haver com sua essência e não a de um de seus pais…

Responsabilidades passadas e futuras

O mau comportamento dos filhos é um fenômeno complexo. Há diversos fatores estudados e que são condicionantes desta indisciplina, uns mais ligados à origem familiar e social dos indivíduos, outros mais relacionados com a base educacional formal. Em primeiro lugar, a indisciplina na escola depende da experiência relacional que o aluno vive na família, desde a infância. (com exceção de problemas neurológicos e outras raras exceções)

Por exemplo: Pais autoritários, excessivamente permissivos ou ausentes não promovem o desenvolvimento equilibrado dos seus filhos. Tudo piora quando os pais desvalorizam também a educação formal da escola.

Relacionamentos

Os pais, na maior parte das suas vidas, procuram se comunicar bem com os filhos. Mas será que devem se comunicar melhor? O primeiro segredo da comunicação está na arte de escutar os filhos com disponibilidade e atenção. Escutar os filhos até ao fim, sem interromper o seu discurso, não implica concordar com tudo o que eles dizem. Implica tentar ver, compreender, antes de falar e principalmente julgar! Quem escuta, tem mais chances de ser escutado. Afinal temos dois ouvidos e dois olhos. Os filhos, sobretudo os adolescentes, só dizem o que querem, quando querem. Não imponha, proponha. Não critique, conquiste 😉

Os pais ficam preocupados quando sentem que, apesar de todos os seus esforços, os filhos evitam conversas, não partilham a sua vida, não contam os seus problemas, segredos, não pedem conselhos. É preciso paciência, respeito ao silêncio dos filhos, mantendo abertura para o diálogo. O mais importante é que os pais estejam atentos, para prevenir comportamentos de risco ou para ajudar os filhos quando eles mais precisam, por exemplo quando são vítimas de bullying.

Minha filha de 6 anos já sabe que pode contar comigo pra falar como se sente em qualquer assunto, ela chega e diz: “vâmo levar um papo mãe?” e isso é show, porque vira um padrão de comportamento e de confiança entre nós…

Disponibilidade

Fazer perguntas promove a qualidade da comunicação. É natural que os pais queiram saber quem são as companhias dos filhos, se estão fumando, se bebem demais nas festas, se experimentam drogas ou se fazem sexo, pois tudo isso pode ter uma consequência. Normalmente eles não gostam de responder a perguntas que para eles são pessoais, assuntos mais íntimos. Preferem falar com os colegas e os amigos ou a resposta é o silêncio. Se os pais querem respostas, e ameaçam punir, é provável que os filhos se defendam com mentiras.

O autoritarismo corta a comunicação. A comunicação chama a companhia da compreensão, só com compreensão e dialogo se garante a confiança. Esse tipo de comportamento autoritário, surge da crença de que tem que se impôr para garantir respeito… mas a intimidade verdadeira entre pais, quando há visível amor, é o melhor caminho para que você pai e você mãe sejam ouvidos. Nunca me esqueço do testemunho de uma jovem, que disse que deu um passo em falso no passado e acabou roubando uns cheques da irmã e que quando a própria irmã descobriu, assim como o pai, nem um nem outro foram agressivos ou punitivos, simplesmente com lágrimas nos olhos e voz tremula falaram da sua tristeza e decepção com ela e que nunca imaginaria que ela seria capaz disso!

Essa moça, disse que preferiria ter levado uma surra, ao ver o quanto tinha magoado sua família. E no inicio ela tinha descrito uma família com base na comunicação, transmissão de valores e intimidade… que ela tinha sim quebrado é verdade, mas que com esse tipo de reação, ela não só modificou sua conduta, como se culpou ainda por muitos anos… demorou muito para ela própria se perdoar. Quem planta confiança, conquista respeito! 

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